Home Amazonas Mesmo após reparo em reservatório, moradores do Morro continuam sem água

Moradores do bairro Morro da Liberdade, localizado na Zona Sul da cidade, estão há mais de três dias sem água nas torneiras. Para tentar armazenar alguns litros em casa, eles estão enfrentando longas caminhadas, filas ou são ‘obrigados’ a comprar. A Manaus Ambiental, porém, informou que o serviço foi normalizado.

Na rua São Luiz, cerca de 20 moradores relataram à reportagem que ligaram para a concessionária Manaus Ambiental para questionar os motivos da falta de água e saber quais os prazos para o serviço voltar ao normal, mas até a manhã de ontem não haviam sequer sido atendidos. “Eles não atendem a gente. Só eu liguei mais de 30 vezes nesses três primeiros dias, estou sem uma gota de água em casa”, contou a dona de casa Maria Auxiliadora Barbosa, 67.

Para ter água em casa, Maria precisa desembolsar mais de 10 reais diariamente para ter água para lavar roupas, limpar a casa, banho e para cozinhar. “Pago mais de 100 reais por mês para não ter água em casa. Sou praticamente obrigada pagar para carregarem água ou por água mineral. Olha, é um absurdo”.

A aposentada Maria de Jesus Oliveira, 75, moradora do beco São Joaquim,  a situação está crítica no bairro há mais de 15 dias, mas se agravou ainda mais nos últimos três dias. “Estamos abandonados aqui. Tem mais de 15 dias que a água vem fraca e não demora muito para ir embora, a gente precisava ser rápida para armazenar em alguns baldes, achava que não podia piorar, mas piorou, nos últimos três dias não estava vindo nenhuma gota”, disse.

Segundo a comerciante Andréa Oliveira, 39, o fornecimento até voltou na noite de quarta-feira e início da manhã de ontem, mas a pressão da água estava fraca e demorou menos de duas horas. “Foi muito rápido, corri na esperança de encher meus tanques, mas não deu. Foi embora logo e estava tão fraca que não subiu nem para a caixa, lá em cima o pessoal está sem água”, contou.

Andréa também afirmou que está gastando mais R$ 20 reais por dia para ter água em casa. “Tinha um poço mais lá para baixo, mas secou. Agora a gente tem que torcer para água voltar ou tem que comprar mesmo. Ninguém vive sem água, a gente precisa cozinhar, tomar banho e lavar roupas”.

Solidariedade

Uma das poucas casas localizadas na rua São Luiz que teve água, em alguns horários,  foi a da costureira Darclei Albuquerque, 39. Segundo ela, diariamente os vizinhos fazem uma longa fila na frente da casa dela para encher os baldes e levar alguns litros. “Aqui é mais baixo, então em alguns horários a água vem bem fraquinha. Eu aviso todo mundo e eles fazem uma fila aqui na frente”, contou.

Se não fosse a generosidade da costureira, a situação ficaria ainda mais difícil para os moradores que não tem condições de se locomover ou de comprar água. “Tem pessoas que não tem dinheiro e tem muito idoso que não consegue caminhar para longe e voltar carregando os galões. Deixo eles pegarem água só para ajudar mesmo”.

A comerciante Brenda Rufina, 25, é uma das moradoras que conta com a generosidade de Darclei. Segundo ela, a falta de água no bairro começou a 15 dias e se não fosse a ajuda da vizinha a situação dos moradores seria ainda mais crítica. “Que bom que existem pessoas como ela. Porque muita gente não tem como comprar”.                       

Em nota, a Manaus Ambiental informou que detectou na madrugada de quinta-feira  um vazamento na rede de distribuição de água do reservatório do Mocó, essa unidade é responsável pela transferência de água do reservatório Morro da Liberdade que abastece os bairros: Morro da Liberdade, Santa Luzia, Crespo, Betânia e Educandos. A concessionária informou também que os serviços de correção foram concluídos e o abastecimento dos bairros citados acima já encontra-se dentro de sua normalidade.

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