Home Esportes Em ascensão no UFC, Ketlen Vieira desabafa contra falta de apoio no...

A ascensão meteórica de Ketlen Vieira no UFC tem chamado a atenção do mundo do MMA. Há pouco mais de um ano na maior organização de lutas do planeta, a “Fenômeno” já aparece no Top 10 do Ultimate e a lutadora amazonense já pinta como uma possível postulante ao cinturão dos peso-galo.

A prova de tamanha notoriedade de Ketlen se deu quando a organização anunciou o combate da amazonense como o primeiro do UFC Belém, o que marca a entrada da região Norte nos eventos do Ultimate. Infelizmente a holandesa Germaine de Randamie declinou da luta, que aconteceria em fevereiro de 2018. 

Não demorou muito e o UFC tratou logo de arrumar uma oponente para a amazonense. A bola da vez agora é a norte-americana Cat Zingano, 35, no UFC 222, em Las Vegas, marcado para o dia 3 de março do ano que vem.

Tanto brilho nos octógonos nos faz imaginar que a representante baré deva ter total aporte financeiro. Ledo engano. Ketlen Vieira caiu no esquecimento dentro de sua própria casa e rala pra continuar levando o nome do Amazonas para o resto do mundo.

O CRAQUE conversou com a lutadora, que segue invicta no MMA (nove lutas e nove vitórias) e se prepara para a quarta luta no UFC. Em tom de desabafo, a Fenômeno falou com tristeza da saída de Adriano Martins do Ultimate. Ketlen também cobrou mais apoio dos governantes do Amazonas, que sempre “aparecem na época de campanha eleitoral”, mas somem quando ela mais precisa. A amazonense também analisou a próxima adversária e a real chance de lutar pelo cinturão dos galos caso vença no UFC 222.  

Você foi escolhida como primeiro combate do UFC Belém, mas a luta caiu. Como você recebeu a notícia e o que pensa de estar com essa moral com a Organização?

R: Não vejo como uma moral, têm poucas mulheres na categoria e o UFC está colocando a categoria pra rodar. Por isso que vemos mais mulheres lutando e nós estamos em momentos decisivos na categoria. O UFC está em busca de uma nova desafiante ao título.

Belém foi escolhida pra receber o primeiro evento do UFC na região Norte. Quando você acha que Manaus vai ter a chance?

R: Acho que Manaus ainda não recebeu um UFC por conta da logística. Não temos estradas e o UFC gosta de realizar seus eventos com todo o equipamento próprio. Tudo tem de ser deles e Manaus se torna um pouco difícil porque fica difícil pra chegar, tem de mandar material de barco. Também faltam alguns acertos. Vivemos um momento difícil no nosso Estado em que houve troca de governador. Penso que devemos esperar estabilizar um pouco mais. O governo e a prefeitura não investem nem nos atletas imagine num evento dessa grandeza. Acho que os representantes têm de sentar e viabilizar. 

Falando em dificuldades, como você analisa a saída do Adriano Martins do UFC, acha que falta mais apoio e patrocínio para os atletas amazonenses?

R: Com certeza falta muito apoio. Às vezes as pessoas não sabem o que se passa. É um custo muito alto você manter um treinamento de alto nível. No UFC você encontra os melhores lutadores do mundo e pra você manter no mesmo padrão que eles é muito caro, ainda mais sem ajuda do governo ou prefeitura. As pessoas só sabem cobrar e cobrar resultados, mas não fazem nada pra ajudar. Acho que uma das principais dificuldades do Adriano foi isso: o cara tem família, tem mulher e filho pra sustentar e não recebe nenhum apoio, é muito difícil mesmo. Pra eu manter meu treinamento eu tenho de investir. Pego lutas duras e tenho de investir em aulas particulares, ninguém sabe o que tem por trás até chegar o dia da gente subir no octógono. Ninguém sabe o que passamos, nossas dificuldades. A falta de patrocínio, não só pros atletas amazonenses, mas do Brasil todo, continua sendo um fator muito grande pra estar acontecendo várias saídas dos brasileiros do UFC. Também sei que têm outros fatores, como a falta de foco, às vezes a pessoa se acomoda, mas tenho certeza que um dos principais fatores continua sendo a falta de patrocínio pra manter o alto custo dos treinamentos.

Você  vem galgando seu espaço no UFC, luta após luta, e hoje já está no Top 10 da sua categoria. Acha que mais uma vitória te coloca como possível desafiante ao cinturão?

R: A gente está na briga pra isso, né? Pra que venha a acontecer e acho que essa minha luta com a Cat Zingano é sim uma luta decisiva. Possivelmente a vencedora desse confronto possa ser a próxima desafiante. Por isso estou muito focada nessa luta, não existe nada pra mim a não ser essa luta agora. Estou pensando nela e vou fazer de tudo pra chegar bem preparada e enfrentá-la de igual pra igual.

A Zingano é uma lutadora experiente e tem um belo cartel. Como você analisa a tua próxima adversária, a que pode ser o penúltimo degrau ao topo do UFC?

R: Analiso como uma luta muito dura, assim como todas. Nunca tive vida fácil no UFC, nem fora dele também. O que posso afirmar é que estarei bem preparada, vou dar tudo de mim nos treinamentos e no dia 3 de março pode ter certeza que vou estar pronta pra enfrentá-la. Sei que ela é uma lutadora muito forte, muito experiente e muito explosiva. Já acompanhei algumas lutas e ela fez vários combates empolgantes. Me sinto muito feliz e muito honrada em ter a oportunidade de poder lutar com uma oponente do calibre da Cat Zingano. Na verdade estarei realizando um sonho também porque sempre me imaginei no octógono com as melhores lutadoras do mundo e mais uma vez vou estar lutando com uma delas.
Então você já deve estar montando uma estratégia pra essa luta, certo? Quais os principais passos na preparação até o combate?
Minha equipe toda está preparando a melhor estratégia pra essa luta. Agora estou na fase de “pré-camping”, na fase que a gente mais evolui, focando muito no jiu-jitsu, na preparação física. Faltando dois meses pra luta a gente dá início ao “camping” mesmo. Confio muito na minha equipe e nos meus treinadores e sei que eles vão estudar a melhor forma pra gente conseguir sair com mais uma vitória, se Deus quiser.

Você citou as dificuldades de sobreviver como atleta de MMA no Brasil. Hoje, quais são os maiores adversários da Ketlen Vieira fora do octógono?

R: É a falta de incentivo tanto do governo quanto da prefeitura porque tenho o maior orgulho em representar o meu Estado. Se você prestar atenção, toda vez que entro no octógono aparece lá Manaus-Amazonas e já até pensei na possibilidade de tirar isso porque não venho recebendo apoio nenhum, nem da prefeitura nem do governo. Nem ao menos o interesse deles. Nem com passagens pros meus “corners”, em nada eles me ajudam! Já pensei diversas vezes em tirar o Manaus-Amazonas e colocar Rio de Janeiro. Ainda não fiz isso porque o povo amazonense não tem culpa de ter os representantes que tem. Estou lá pra representar o meu povo e não esses políticos que só sabem enganar, aparecer pra tirar fotos e depois somem.

Acha que essa falta de apoio pode tirar de Manaus a fama de ser o “celeiro” de campeões do MMA mundial? 

R: Não sei se podemos perder essa fama porque muitos lutadores têm o povo amazonense no coração. E é por isso que eles brigam tanto pra elevar o nome do nosso Estado. Digo isso por mim, porque tenho o maior orgulho de dizer onde quer que eu vá que sou de Manaus, que sou amazonense, que estou lá brigando pra mostrar que nosso Amazonas é um celeiro de campeões. É por esse fator, pelos próprios atletas não. Tenho certeza que muitos atletas já desistiram, muita gente talentosa mudou de caminho porque teve de escolher entre treinar e trabalhar. Por isso me sinto uma pessoa muito abençoada, que segui lutando pelo meu sonho com a ajuda de muitos amigos e da família. Essa fama de celeiro de lutadores não vai se apagar por causa dos próprios lutadores porque se fosse por nossos representantes essa fama nem existiria.

Pra finalizar, deseja mandar um recado pro povo pelo qual você luta?

R: Quero agradecer as mensagens e o apoio que tenho recebido de todos no Amazonas. Também quero dizer que sempre vou dar meu máximo treinando bastante aqui no Rio de Janeiro pra representar muito bem o meu povo. Quero continuar dando orgulho pros amazonenses, isso é o que quero sempre. Tenho de agradecer também a Deus, que nada sem Ele seria possível. Ele se faz presente na minha vida cada vez mais. E em todas as vezes que subo no octógono, Ele vem me abençoando grandiosamente e só tenho a agradecer.

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