Home Amazonas Adolescente linchado pode ter sido morto por ser aluno de escola militar...

Polícia Civil apresentou, nesta segunda-feira (13), o primeiro preso suspeito de participar do linchamento do estudante Kayubede Carvalho Oliveira, de 16 anos. Vinícius Nascimento Mendes, de 20 anos, foi detido após a Polícia Militar receber denúncia. As investigações agora se concentrarão na identificação do restante do grupo que espancou o jovem. Uma das linhas de investigação é que o adolescente pode ter sido morto por ser aluno de colégio militar.

Mendes foi localizado após a Polícia Militar receber uma denúncia telefônica.

“No momento da prisão, ele chegou a confirmar que estava no local da ocorrência, mas negou autoria. Depois, com mais informações que tínhamos, ele confirmou, inclusive, ter feito uso de uma pedra para tacar no adolescente. Chegamos nele através de informações oriundas do 190, ou seja, a população pode contar que todas as informações sobre esse fato e outros fatos serão apuradas para chegar na verdade”, disse o tenente-coronel Fabiano Bó, que comanda o Comando de Policiamento de Área (CPA) Leste responsável pela prisão.

O suspeito foi levado para 12° Distrito Integrado de Polícia (DIP) e depois encaminhado para a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que é responsável pelo inquérito.

A pedido da Polícia Civil, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) expediu mandado de prisão temporária por homicídio qualificado contra o suspeito. Ele foi ouvido novamente e relatou detalhes do linchamento.

“Ele fala que estava do bar e uma mulher passou correndo, dizendo que estavam cometendo um linchamento porque uma pessoa tinha tentado roubar um mototaxista. Quando ele chegou lá, vários mototaxistas estavam arremessando capacetes e duas pessoas com paus deflagrando pauladas. Ele jogou uma pedra na vítima”, afirmou o delegado titular da DEHS, Jeff Mac Donald.

Segundo a polícia, o suspeito é usuário de drogas e morador da comunidade. Ele tem passagens na polícia quando adolescente por atos infracionais análogos aos crimes de roubo, tráfico de drogas e homicídio. Atualmente, responde a processo por lesão corporal.

Durante coletiva de imprensa, Mendes negou que tenha agredido o estudante Kayube de Carvalho, mas confirmou que estava no local do assassinato.

“Os caras começaram a linchar ele e era muita gente batendo. Quando cheguei lá, ele já estava morto. Eu não fiz nada, tentei arremessar uma pedra, mas não deixaram porque disseram que eu era errado”, disse chorando o suspeito dizendo que vai ser morto se falar nomes dos envolvidos.

Investigação

A Polícia Civil já trabalha com duas linhas de investigação.

“Há duas vertentes no homicídio dessa vítima no linchamento. Pode ser uma falsa comunicação de crime no momento em que o mototaxista teria sido alvo de roubo. Ele teria inventado essa situação para poder armar e outros mototaxistas atingirem a vítima. Outra motivação é que vítima usava farda do Colégio da Polícia Militar e isso, para os traficantes da área, era considerado uma afronta. Pelo fato de o aluno está com a farda da PM, uma instituição correta, seria uma afronta. Estamos trabalhando nessas duas linhas de investigação”, revelou o delegado Jeff Mac Donald.

As investigações continuarão para identificar os suspeitos de espancar o estudante. Inicialmente, a polícia suspeita da participação de seis pessoas no crime. Porém, o número de envolvidos pode ser maior.

O primeiro suspeito preso revelou que 20 pessoas estavam no local e, de alguma forma, participaram do linchamento.

“Foram repassados alguns apelidos e estamos trabalhando nesses apelidos para chegar até a qualificação. Tentar delimitar a atuação de cada pessoa no fato criminoso, haja vista que, na situação, várias pessoas participaram, utilizando paus e pedras”, disse o delegado.

Crime

Kayube de Carvalho Oliveira foi encontrado morto na comunidade Val Paraíso, bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus, no domingo (5). Segundo a polícia, a vítima foi atingida com golpes de facão, além de ter sido agredida com paus e pedras.

A família afirma que o adolescente andava pelo Ramal Val Paraíso, bairro Jorge Teixeira, quando foi abordado. Dinheiro, o celular e um cordão da vítima foram roubados.

De acordo com a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o corpo do adolescente foi encontrado próximo a um igarapé com marcas de agressão e cortes na cabeça.

O crime ocorreu após um mototaxista pedir ajuda alegando que havia sofrido uma tentativa de roubo no momento que estudante passava pelo ramal. O jovem foi perseguido por um grupo de pessoas e agredido até morte.

O estudante não tinha antecedentes criminais, era aluno de escola militar e participava de grupos de igreja.

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