O cinegrafista Robson Panzera, da TV Integração, filiada da Rede Globo, foi agredido durante a produção de uma reportagem. O caso aconteceu na cidade de Barbacena, na região Central do Estado, nesta quarta-feira (20). O agressor Leonardo Rivelli abordou a equipe aos gritos de “Globo lixo” e danificou os equipamentos de filmagem.

A equipe estava em frente à Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar) para uma matéria sobre casos de Covid-19 entre os militares. Segundo o relato da equipe aos policiais, Rivelli passou em um veículo e começou a filmar os jornalistas com seu celular, enquanto ofendia os profissionais.

O cinegrafista e o agressor entraram em uma discussão, quando Leonardo chutou o tripé da câmera, danificando os aparelhos e causando uma lesão na mão de Robson. Em seguida, as agressões se intensificam e o homem usou o tripé para agredir o cinegrafista. Esse momento foi registrado pela repórter da equipe, Thais Fullin, que também confirmou a versão de Robson.

Aos policiais, Leonardo afirmou que está “cansado de ver a Rede Globo espalhar terror para o mundo”. Ele também alegou que teria sido agredido pelo cinegrafista primeiro e somente revidou.

O BHAZ tentou contato com Rivelli por dois telefones atribuídos a ele, mas não obteve sucesso até a publicação desta reportagem, que será atualizada caso ele queira se manifestar.

Onda de agressão a jornalistas

A presidente do Sindicato de Jornalistas de Minas Gerais, Alessandra Mello, informa que o caso já foi encaminhado ao Ministério Público, que criou uma força tarefa para apurar ataques a jornalistas. No entanto, ela lamenta a crescente violência contra os profissionais.

+ Equipe do BHAZ é ameaçada após denúncia de atividade ilegal: ‘Vamos te f**, viu?!’

“Até quando a gente vai ver essa escalada de violência contra jornalistas? Até matar algum? As autoridades do Brasil tem que tomar uma providência. As pessoas que pregam violência contra jornalistas devem ser punidas, não só as que partem para as vias de fato”, declara.

+ Pichações em BH pregam violência e fazem ameaças de morte a jornalistas: ‘Mate um por dia’

Por meio de nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora se colocou à disposição da vítima da agressão e repudiou a violência contra os profissionais. “O Sindicato entende que a violência contra um profissional de imprensa é uma violência contra toda a categoria, contra a imprensa livre, contra a sociedade e contra a democracia”, escreveu em comunicado, assinado também pela Federação Nacional dos Jornalistas (leia na íntegra abaixo).

Nota de repúdio do Sindicato de Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora

O Sindicato de Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora vem a público manifestar seu total repúdio e indignação contra mais um ato de violência praticado contra um profissional da imprensa. A agressão ocorreu nesta quarta-feira, dia 20 de maio de 2020, uma equipe da TV Integração ter sido agredida verbal e fisicamente durante o exercício de suas atividades profissionais em Barbacena, Minas Gerais.

A agressão em questão foi formalizada em Registro de Eventos de Defesa Social (Reds) junto à Polícia Militar de Minas Gerais. Imagens feitas pela própria equipe de reportagem vítima da violência, que já circulam nas redes sociais, mostram a atitude covarde de um homem que utiliza o tripé do próprio repórter cinematográfico da TV Integração para proferir golpes contra este, enquanto o profissional tenta se defender com uma das mãos e segura sua câmera, equipamento de trabalho, com a outra.

Por meio desta nota, além do repúdio contra a violência, o Sindicato se coloca à disposição e presta solidariedade à equipe da TV Integração, solidariedade esta estendida a seus familiares; e também a todos os profissionais da empresa e a toda a categoria, que também se sente agredida com tamanho ato de violência, que, tristemente, não é um ato isolado.

O Sindicato entende que a violência contra um profissional de imprensa é uma violência contra toda a categoria, contra a imprensa livre, contra a sociedade e contra a democracia. A escalada de tal violência não pode mais ser tolerada nem por jornalistas, nem por toda a sociedade em geral. Assim, o Sindicato cobra um posicionamento firme das autoridades responsáveis para coibir tais atos e punir, dentro do escopo das previsões legais, agressores.

Da mesma forma, o texto da lei deve ser usado também para apurar e punir aqueles que fomentam tais ataques, especialmente aqueles cujas palavras estão investidas de autoridade por poderes concedidos pelo Estado.

Assim, o Sindicato dos Jornalistas profissionais de Juiz de Fora se referencia em nota publicada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), no último Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, comemorado no 3 de maio, que ressalta a recorrência de casos de agressões contra profissionais da imprensa em manifestações de cunho político no país. O texto reforça ainda que tal violência tem sido incentivada por discursos belicosos manifestados publicamente por ocupantes de cargos eletivos.

“A deterioração da liberdade de imprensa, fomentada por autoridades eleitas e servidores públicos, é um risco grave para a democracia. A Abraji e o Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) cobram das instituições republicanas que protejam o direito da sociedade à informação. Os três poderes, nas três esferas, não podem se mostrar passivos diante da violência física e simbólica contra os jornalistas, e devem punir agressões e reagir aos discursos antidemocráticos”, diz a nota da Diretoria da Abraji e do Observatório da Liberdade de imprensa da OAB, publicada em 3 de maio de 2020, afirmação com a qual o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora se solidariza, reafirmando mesmo posicionamento.

Direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui